A Igreja celebra hoje a memória dos pais
de Nossa Senhora, São Joaquim e Santa Ana, conforme nos informa o Proto –
Evangelho apócrito de Tiago, do século II. É uma informação histórica
verdadeira, confirmada por outras fontes da Tradição. No Oriente já se
venerava Santa Ana no século VI. A piedosa Santa Ana, estéril, após
fervorosas orações, obteve de Deus o nascimento da Virgem Maria, tendo-a
consagrado a Deus aos três anos de idade no Templo de Jerusalém.
A comemoração deste dia nos dá a
oportunidade de refletir sobre a importância dos avós e dos idosos na
vida da família e da sociedade. Mais do que lançar confetes em seu
rosto, precisamos pensar com seriedade sobre a sua vida.
Sabemos que em todos os países o número
de pessoas idosas aumenta a cada dia; vive-se mais hoje e nascem menos
crianças. Assim, os idosos ocupam hoje um lugar de destaque nas
sociedades, e essas estão voltando os seus olhos para eles. E a Igreja
não pode ficar alheia a esta realidade. Por isso precisa fomentar a
Pastoral da Pessoa Idosa, que não existe em muitas paróquias.
Quanto mais a vida moderna agita os
lares, mais importância as pessoas idosas têm na vida da família e dos
seus filhos e netos. Hoje a maioria dos pais e mães trabalham fora de
casa, e muitos netos ficam a cargo das avôs e avós, que prestam um
grande serviço a seus filhos na educação dos netos. A sabedoria deles, a
experiência nas coisas do lar, ajudam muito na educação dos seus netos.
Sem contar que muitos deles já foram professores de muitas disciplinas,
além de música, dança, e tantas coisas que podem agora transmitir aos
jovens e crianças.
Da mesma forma esta experiência acumulada
pode ajudar muito a Igreja no seu trabalho de evangelização de
crianças, jovens e adultos. Penso que em primeiro lugar, a Pastoral dos
idosos deve olhar para isso, e abrir-se para esta riqueza disponível de
tantas pessoas sábias, doutas, que podem ser muito úteis à Igreja. Por
outro lado, isto dará aos idosos que dispõem de tempo, uma atividade
importante em suas vidas, trazendo-lhes valorização, realização e vida
mais longa. Sabemos que a inatividade pode apressar a morte de uma
pessoa idosa. É preciso valorizar a pessoa do idoso.
Em muitas atividades eles podem ser
úteis: na catequese das crianças, jovens e adultos, na formação
específica, nos Conselhos paroquiais e diocesanos, na administração das
obras e finanças, na liturgia, nos trabalhos de escritório, no
atendimento às pessoas, na oração, etc. Ficamos muito tempo a mingua de
uma boa catequese, e por isso, muitos de nossos jovens e adultos de
hoje não sabem sequer a relação dos Sacramentos e Mandamentos; penso
que muitos idosos podem ajudar a Igreja a vencer esse atraso. Muitos
católicos foram para as seitas porque lhes faltou a catequese.
O documento do V CELAM, de Aparecida,
pede que a Igreja esteja em “estado permanente de missão”, e isto deve
incluir os idosos. Mas a pastoral do idoso tem o outro lado, que é levar
a eles a boa acolhida e o amor de Cristo. Sabemos que muitos idosos têm
uma vida difícil, e por isso a Pastoral deve se preocupar em dar-lhes
assistência espiritual, material e afetiva. Muitas famílias deixam os
seus idosos em situação difícil; às vezes doentes, sem recursos
financeiros, sem às vezes até um lar, vivendo na solidão, abandonados…
Não há dúvida de que esse idoso é o “pobre mais pobre”, aquele que o
braço de Cristo, através da Igreja, deve alcançar com mais urgência.
O mundo de hoje é muitas vezes injusto e
insensível com os idosos; muitos deles são vistos como pessoas que “só
dão trabalho”, já não produzem mais, são abandonadas nos asilos; e, pior
ainda, pesa-lhes sobre a alma, em alguns países, a ameaça da
eutanásia, que a cada dia cresce no mundo todo. Os jornais noticiaram
que muitos idosos da Holanda estão deixando os asilos daquele país, com
medo da eutanásia, e estão se abrigando nos asilos da Alemanha onde a
eutanásia não é legal.
Que horror! Que injustiça! Essa pessoa
que trabalhou a vida toda, que construiu a sociedade, agora é empurrada
para a morte como se fosse apenas um estorvo, e não um ser humano… Não
podemos chamar a isto de civilização, antes de barbárie.
Na velhice, todas as faculdades físicas
enfraquecem. Os olhos já não enxergam como antes; os passos agora são
lentos e, muitas vezes, precisam do apoio de bengalas; os ouvidos já não
ouvem bem; os dentes já não são fortes como antes; os braços já não
podem fazer força… o corpo dói com facilidade porque os músculos são
frágeis e todos os órgãos já estão cansados. Facilmente, a doença se
instala. É ai então que a caridade de Cristo deve agir. É então nesta
fase que o idoso mais precisa do calor dos jovens, do seu carinho, apoio
e companhia caridosa. Isto nos sugere unir de certa forma a catequese
dos jovens e das crianças aos idosos.
A Pastoral do idoso deve, então, se
preocupar com a sua “acolhida”; não ficar esperando que ele chegue à
Paróquia, porque muitos deles já não têm mais condições de ir a ela.
Então, é a Paróquia que deve ir a eles. Conheço uma família ex –
católicos que se tornou protestante porque a avó da família ficava só e
doente em casa o dia todo. Recebendo a visita dos protestantes que a
acolheram, trataram dela, oravam com ela, etc., ela foi para a igreja
deles, e levou toda a família. Penso que isto se repete muito hoje. É
uma grave omissão das nossas pastorais, e que precisa ser corrigida.
Esta lição nos ensina que a Pastoral do
idoso precisa ir de rua em rua, de casa em casa, descobrindo e acolhendo
cada idoso que precise de ajuda. Muitos deles já não podem ir à Igreja,
então precisam receber os Sacramentos em casa. É nesta hora que se vê a
grandeza da Pastoral. Se a nossa caridade para com os outros irmãos não
é esquecida por Deus, quanto mais a caridade para com os idosos!
Prof. Felipe Aquino
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