quarta-feira, 11 de julho de 2012

Amor, casamento e superação: conheça a linda história de Viviane e Fábio

O que você faria se o amor da sua vida não te reconhecesse mais? Veja como o casal conseguiu manter a união e superar as dificuldades

Laila Magesk - Da Redação Multimídia

"O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba".
 1° Cor. 13, 7-8.

Viviane
Viviane Thomasi. Foto: Zenilda Brasil
No mês de maio, o Gazeta Online fez um especial sobre casamento, com várias dicas para preparar uma bela cerimônia e uma festa inesquecível. Mas do que adianta tantos investimentos se o amor não for a base desta relação?

E foi repleto deste sentimento que o casal Viviane Thomasi, 37 anos, e Fabio Campostrini, 35 anos, conseguiu superar as dificuldades e permanecer juntos.

Só para ter uma ideia do que passou a enfermeira Viviane, mãe de dois meninos pequenos, imagine se seu marido (a) ou namorado (a) esquecesse o dia que vocês se conheceram ou se casaram? Provavelmente, você ficaria chateada (o). Agora, e se ele ou ela esquecesse quem você é? Ela conta como tudo aconteceu.

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História

"No último ano de faculdade, vim trabalhar em Aracruz. Aluguei uma casa em frente à casa de Fábio. Todos os dias, eu passava em frente à casa dele e ele sempre me observava. Eu pensava: caramba! Ele não faz nada? Puxa, era uma das greves da Ufes e ele estava em casa neste período. Eu fiquei incomodada com tantos olhares e acabei gostando.

Ele demorou um tempo para me conquistar, mas depois de um ano estávamos casados. Foi um casamento meio rápido, porque Daniel já estava a caminho (risos). Então, não deu tempo para realizarmos uma cerimônia. Fábio já estava na reta final do curso e precisávamos nos ajeitar e preparar um cantinho para morarmos - tudo aconteceu muito rápido.

Mas Fábio prometeu que iria casar comigo. E eu acreditei (risos).

O tempo foi passando, nossa vida foi sendo construída. Eu ainda falava: quando vamos nos casar? Agora o pajem está pronto para entrar na igreja. Mas nada de casamento (risos). Foram muitas prioridades também. Gastos com o nosso bem-estar, a construção de uma casa própria, troca de carro e a formalização do casamento ia para último plano.

E quando Daniel estava com 6 anos, eu engravidei de Danilo. Depois que Danilo nasceu, eu disse que teria dois pajens e que agora eu iria casar. Todos os nossos amigos riam dessa história e diziam que Fábio nunca iria casar comigo.
Viviane e a família
Viviane com o marido e os filhos Daniel e Danilo. Foto: Zenilda Brasil
O acidente

No dia 08 de maio de 2008, nossa história mudou abruptamente. Eu diria que um giro de 180º. Fábio sofreu um acidente automobilístico, bateu em uma árvore e teve um traumatismo craniano grave. Chegou ao hospital com o prognóstico muito ruim.

Fiquei sem sentir meus pés no chão por vários dias. A descarga é tão intensa, que você para. O mundo continua. Precisei continuar trabalhando, cuidando das crianças e de Fábio. Tinha acabado de desmamar Danilinho, e o acidente aconteceu dois dias antes do aniversário dele de dois anos.

Foi muito difícil, porque achei que ele fosse morrer. Toda a família se envolveu para nos ajudar. Minha mãe, avó, sogra, amigas, cunhada, tias e tantas outras pessoas. Porque só tem noção da dimensão de um problema quando você o vivencia. Ele ficou em coma 13 dias e um mês internado no Hospital Rio Doce, em Linhares.

Com 45 dias, fomos para Belo Horizonte, para a universidade, em busca de recursos e no aguardo da vaga para a Rede Sarah de Hospitais. Neste período, Fábio não falava, nem andava e comia com muita dificuldade. A vaga no hospital estava demorando muito, então retornamos a Aracruz.

Depois de 15 dias aqui, graças a Deus a vaga no hospital de reabilitação saiu. Minha sogra ficou com Fábio, porque eu precisava ficar com as crianças, que inevitavelmente sentiam também o tamanho do contexto. Aos poucos, ele ia reabilitando, falando, andando e desenvolvendo com muitas limitações suas atividades.

É muito desgastante viver com uma pessoa sem memória. No meio da madrugada em um dos tantos episódios, Fábio questionou quem era o bebezinho que estava ao lado dele. Eu, que graças a Deus tenho um pouquinho de senso de humor, falei: papai, Danilinho. Danilinho, papai.  Muito prazer. E a mamãe precisa dormir para trabalhar amanhã.

Viviane e a família
Viviane e o marido. Foto: Zenilda Brasil
Superação

Fábio me "conheceu" oito meses após o acidente. Na "loucura" dele, ele achava que eu era outra pessoa. Me conheceu pelo perfume que eu estava usando.

Um dia passei um perfume que há tempos não usava. Para minha surpresa, ele falou: meu Deus, Viviane usava este perfume. Você é Viviane? Ri bastante, mas foi incrível. Porque a partir deste dia, ele entendeu que tinha uma família.

Era uma loucura! Ele não tinha organização de pensamento, das emoções e sentia que não estava neste planeta. Não tinha memória recente. Até hoje, ele ainda tem déficit de memória recente e alterações de comportamento. Mas se o amor é a essência da vida, vamos conduzindo com amor todas as diferenças e situações.

Assim que Fábio apresentou uma lucidez considerável, resolvemos selar a união e renovar os votos de amor eterno.

Escolhemos o dia 08 de janeiro de 2010, no final da tarde de um dia quente e azul de verão para oficializarmos o nosso casamento. Na semana seguinte, fomos para Fussen, na Alemanha, conhecer o castelo de Neuschwanstein.

A cada dia Fábio melhora. Mas as sequelas existem. Vamos conduzindo da forma que conseguimos...

Prefiro dizer que Deus nos sustenta a cada novo dia. E é sempre um dia de cada vez".


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