Amor, casamento e superação: conheça a linda história de Viviane e Fábio
O que você faria se o amor da sua vida não te reconhecesse mais? Veja como o casal conseguiu manter a união e superar as dificuldades
Laila Magesk - Da Redação Multimídia
"O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba".1° Cor. 13, 7-8.
E foi repleto deste sentimento que o casal Viviane Thomasi, 37 anos, e Fabio Campostrini, 35 anos, conseguiu superar as dificuldades e permanecer juntos.
Só para ter uma ideia do que passou a enfermeira Viviane, mãe de dois meninos pequenos, imagine se seu marido (a) ou namorado (a) esquecesse o dia que vocês se conheceram ou se casaram? Provavelmente, você ficaria chateada (o). Agora, e se ele ou ela esquecesse quem você é? Ela conta como tudo aconteceu.
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História
"No último ano de faculdade, vim trabalhar em Aracruz. Aluguei uma casa em frente à casa de Fábio. Todos os dias, eu passava em frente à casa dele e ele sempre me observava. Eu pensava: caramba! Ele não faz nada? Puxa, era uma das greves da Ufes e ele estava em casa neste período. Eu fiquei incomodada com tantos olhares e acabei gostando.
Ele demorou um tempo para me conquistar, mas depois de um ano estávamos casados. Foi um casamento meio rápido, porque Daniel já estava a caminho (risos). Então, não deu tempo para realizarmos uma cerimônia. Fábio já estava na reta final do curso e precisávamos nos ajeitar e preparar um cantinho para morarmos - tudo aconteceu muito rápido.
Mas Fábio prometeu que iria casar comigo. E eu acreditei (risos).
O tempo foi passando, nossa vida foi sendo construída. Eu ainda falava: quando vamos nos casar? Agora o pajem está pronto para entrar na igreja. Mas nada de casamento (risos). Foram muitas prioridades também. Gastos com o nosso bem-estar, a construção de uma casa própria, troca de carro e a formalização do casamento ia para último plano.
E quando Daniel estava com 6 anos, eu engravidei de Danilo. Depois que Danilo nasceu, eu disse que teria dois pajens e que agora eu iria casar. Todos os nossos amigos riam dessa história e diziam que Fábio nunca iria casar comigo.
No dia 08 de maio de 2008, nossa história mudou abruptamente. Eu diria que um giro de 180º. Fábio sofreu um acidente automobilístico, bateu em uma árvore e teve um traumatismo craniano grave. Chegou ao hospital com o prognóstico muito ruim.
Fiquei sem sentir meus pés no chão por vários dias. A descarga é tão intensa, que você para. O mundo continua. Precisei continuar trabalhando, cuidando das crianças e de Fábio. Tinha acabado de desmamar Danilinho, e o acidente aconteceu dois dias antes do aniversário dele de dois anos.
Foi muito difícil, porque achei que ele fosse morrer. Toda a família se envolveu para nos ajudar. Minha mãe, avó, sogra, amigas, cunhada, tias e tantas outras pessoas. Porque só tem noção da dimensão de um problema quando você o vivencia. Ele ficou em coma 13 dias e um mês internado no Hospital Rio Doce, em Linhares.
Com 45 dias, fomos para Belo Horizonte, para a universidade, em busca de recursos e no aguardo da vaga para a Rede Sarah de Hospitais. Neste período, Fábio não falava, nem andava e comia com muita dificuldade. A vaga no hospital estava demorando muito, então retornamos a Aracruz.
Depois de 15 dias aqui, graças a Deus a vaga no hospital de reabilitação saiu. Minha sogra ficou com Fábio, porque eu precisava ficar com as crianças, que inevitavelmente sentiam também o tamanho do contexto. Aos poucos, ele ia reabilitando, falando, andando e desenvolvendo com muitas limitações suas atividades.
É muito desgastante viver com uma pessoa sem memória. No meio da madrugada em um dos tantos episódios, Fábio questionou quem era o bebezinho que estava ao lado dele. Eu, que graças a Deus tenho um pouquinho de senso de humor, falei: papai, Danilinho. Danilinho, papai. Muito prazer. E a mamãe precisa dormir para trabalhar amanhã.
Fábio me "conheceu" oito meses após o acidente. Na "loucura" dele, ele achava que eu era outra pessoa. Me conheceu pelo perfume que eu estava usando.
Um dia passei um perfume que há tempos não usava. Para minha surpresa, ele falou: meu Deus, Viviane usava este perfume. Você é Viviane? Ri bastante, mas foi incrível. Porque a partir deste dia, ele entendeu que tinha uma família.
Era uma loucura! Ele não tinha organização de pensamento, das emoções e sentia que não estava neste planeta. Não tinha memória recente. Até hoje, ele ainda tem déficit de memória recente e alterações de comportamento. Mas se o amor é a essência da vida, vamos conduzindo com amor todas as diferenças e situações.
Assim que Fábio apresentou uma lucidez considerável, resolvemos selar a união e renovar os votos de amor eterno.
Escolhemos o dia 08 de janeiro de 2010, no final da tarde de um dia quente e azul de verão para oficializarmos o nosso casamento. Na semana seguinte, fomos para Fussen, na Alemanha, conhecer o castelo de Neuschwanstein.
A cada dia Fábio melhora. Mas as sequelas existem. Vamos conduzindo da forma que conseguimos...
Prefiro dizer que Deus nos sustenta a cada novo dia. E é sempre um dia de cada vez".
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